S. Paulo, 8 de agosto de 1929.
Odette
Tenho recebido suas cartas e se não as respondo é porque nada de certo e agradável posso te dizer.
Estou arranjando meus negócios, que felizmente estão tomando outro rumo, espero ainda este mez liquidar com os irmãos e mais interessados em Morro Grande, o que será para mim motivo de grande contentamento e um grande alívio.
Estive bem doente e tenho soffrido muito com esta situação de verdadeira miséria, pois a falta de dinheiro é completa, espero no entanto melhorar esta situação até o fim do mez, pois estou combinando com a Comp. Paulista um acordo em que ficarei descansado e com o suficiente para a nossa manutenção; eu só estou a espera disso para arrumar a sua vidinha, muito provavelmente trazendo-te aqui para S. Paulo.
Não te contraries por não ter te escripto e creia, que se soubesses meu estado de espírito dar-me ia fria razão.Sem mais saudades e abraços do
Justy
As cartas, meio de comunicação usual na época, retratam o cotidiano e os relacionamentos. A caligrafia, marca individual como as digitais, atravessa o tempo e identifica pessoas e histórias.
O documento abaixo, da Secretaria da Agricultura, datado de 1926, revela a assinatura de Justiniano Lacerda de Oliveira. Na assinatura, a mesma caligrafia que se observa na carta de 1929 à sua filha Odette.

Atestamos que o imigrante
Janis Caune
com a sua família trabalhou como operário rural na nossa propriedade agrícola em Capão Preto durante o ano de 1923.São Paulo, 28 de janeiro de 1926.
Justiniano Lacerda de Oliveira
Confira o documento da Secretaria de Agricultura aqui.

