Carta de tia Noemi para sua sobrinha Odette em 20 de agosto de 1951
Cara Odette
Não tendo há muito tempo notícias suas, venho fazer-te um visita e saber como vae passando? Como está o meu caro afilhado? E o Sr. Gomes vae bem?
Aqui, prosseguimos na mesma toadinha. Estivemos uns dias aprehensivos com o Luiz Philipe, muito febril, porém era sarampo, e fortíssimo. Temos tido muita pena delle e de Selly. Estão ambos muito cansados e abatidos, elle se abateu muito, pois, já há bem tempo está sempre com alguma coisa devido a tal hepatite que o tem enfraquecido deveras. Os de Bi vão bem. O Barros Neto está comigo. É muito dócil e bonzinho e para mim optimo companheirinho. As irmãzinhas ficaram com a outra avó, em casa do Bi. Já estamos saudosíssimos dos filhões ausentes em Los Angeles e só os esperamos em princípio de setembro.
O que me contas de bom dessa cidade maravilhosa? Tens visto Celina? Lembro-me sempre com saudades dessa prima tão bondosa e amável, e de Lineu sempre tão amigo dos parentes. Que Deus lhe dê a recompensa e quando vires Celina dá-lhe o meu abraço.
Andas muito silenciosa. Por que será? Não queres mais a tua velha Tia? Escreve-me de vez em quando e apparece por aqui.
Recomenda-nos ao Sr. Gomes e com o caro José Eduardo, recebe um muito affectuoso abraço da tia sempre muito amiga.
Noemi
20-8-1951
Felipe de Barros Marquezini, trisneto de Noemi Oliveira de Barros, nos fornece as seguintes referências:
A Celina mencionada é certamente a Celina Guinle (1887-1974), da família que construiu o Copacabana Palace… nessa época ela já era viúva do Lineu de Paula Machado (1880-1942). Lineu era filho de Sebastiana de Mello Franco (1854-1946), prima-irmã do Justiniano Whitaker de Oliveira; era filha de Júlia Henriqueta de Mello Oliveira (1833-1918, filha dos Viscondes de Rio Claro) e Francisco Eduardo de Mello Franco (1820-1859, irmão da Vinscondessa e tio da própria esposa). Selly era a única filha de José e Noemi; se chamava Noemi Maria Oliveira de Barros (1917-1984) e foi casada com Renato Santoro (1914-1984). Luiz Philippe é o filho deles, primo de meu avô. Bi era o caçula de José e Noemi, José Oliveira de Barros Junior (1925-1954); era aviador e passava muito tempo nos Estados Unidos; seu filho mais velho era o José Oliveira de Barros Neto mencionado.
Tia Noemi Oliveira de Barros – Foto de seu trisneto Felipe de Barros Marquezini
A Fazenda Nossa Senhora da Conceição do Itaim desde 1961 pertence à família de José Gomes Pinto (★1907, Rio Claro – † 1970, Taubaté) e Odette Gomes Pinto (★1912, Araras – † 2010, Taubaté).
“Ou a história é história e conta o que houve. Ou ela distorce os fatos conforme lhe convém e passa a ser propaganda” Monteiro Lobato
José Eduardo Gomes Pinto, único filho de José e Odette Gomes Pinto, nasceu em Rio Claro no dia 8 de abril de 1936. No Rio de Janeiro, viveu com os pais na Av. Princesa Januária até os 7 anos, quando mudaram-se para Taubaté. Viveram na Rua Sacramento, 179 e a partir de 1961 na Fazenda Itaim, onde Dr. Eduardo faleceu no dia 07 de janeiro de 2004.
FORMAÇÃO ESCOLAR:
PRIMÁRIO: 1942 – 1946
GRUPO ESCOLAR DR. LOPES CHAVES – TAUBATÉ/SP
PRIMÁRIO: 1942 – 1946
GRUPO ESCOLAR DR. LOPES CHAVES – TAUBATÉ/SP
GINÁSIO: 1947 – 1949
INTERNATO COLÉGIO SÃO JOSÉ – RIO DE JANEIRO
1950
COLÉGIO PADRE ANTÔNIO VIEIRA – RIO DE JANEIRO
CIENTÍFICO: 1951-1952
COLÉGIO GRAMBERY – JUIZ DE FORA – MINAS GERAIS
1952-1953
INTERNATO COLÉGIO SÃO JOSÉ – RIO DE JANEIRO
CURSO SUPERIOR: 1954 – 1959
FACULDADE DE DIREITO DO CATETE (ANTIGA UNIVERSIDADE DO DISTRITO FEDERAL)
EXERCÍCIO PROFISSIONAL
Advogado, devidamente inscrito na OAB sob nº 10.885, com carteira expedida em 10 de dezembro de 1961.
1960-1966: Prática da advocacia no Estado do Rio de Janeiro, com escritório à Rua México, 148, salas 1203/1204.
11/10/1966 : Assumiu a função de Promotor Público na Comarca de Feijó, Estado do Acre.
1967: Acumulou as funções de Assessor Jurídico e Legislativo da Governadoria do Estado do Acre.
1968: Foi nomeado Chefe da Casa Civil da Governadoria do Estado do Acre, acumulando interinamente as funções de Secretário Interior de Justiça e Segurança, bem como de Finanças e Administrativa
1969-1971: Foi nomeado Representante do Governo do Estado do Acre no Rio de Janeiro com jurisdição para Brasília e São Paulo.
1972-1975: Foi nomeado Diretor Administrativo da Cia. de Eletricidade do Acre, em seguida Diretor Superintendente e finalmente Diretor Presidente, acumulando nesse período as funções de Coordenador da Elaboração e Implantação do Plano de Energização de todo o Estado.
1976-2002: Empresário e Assessor Jurídico
ATIVIDADES NO TURFE
1956: Constituiu o Study Quita, que mantinha seus animais disputando páreos no Hipódromo da Gávea.
1962: Constituiu o Haras Santo Eduardo, em Tremembé/SP.
Tenho recebido suas cartas e se não as respondo é porque nada de certo e agradável posso te dizer.
Estou arranjando meus negócios, que felizmente estão tomando outro rumo, espero ainda este mez liquidar com os irmãos e mais interessados em Morro Grande, o que será para mim motivo de grande contentamento e um grande alívio.
Estive bem doente e tenho soffrido muito com esta situação de verdadeira miséria, pois a falta de dinheiro é completa, espero no entanto melhorar esta situação até o fim do mez, pois estou combinando com a Comp. Paulista um acordo em que ficarei descansado e com o suficiente para a nossa manutenção; eu só estou a espera disso para arrumar a sua vidinha, muito provavelmente trazendo-te aqui para S. Paulo.
Não te contraries por não ter te escripto e creia, que se soubesses meu estado de espírito dar-me ia fria razão.
Sem mais saudades e abraços do
Justy
As cartas, meio de comunicação usual na época, retratam o cotidiano e os relacionamentos. A caligrafia, marca individual como as digitais, atravessa o tempo e identifica pessoas e histórias.
O documento abaixo, da Secretaria da Agricultura, datado de 1926, revela a assinatura de Justiniano Lacerda de Oliveira. Na assinatura, a mesma caligrafia que se observa na carta de 1929 à sua filha Odette.
Documento Secretaria da Agricultura 1926 – Assinatura de Justiniano Lacerda de Oliveira
Atestamos que o imigrante
Janis Caune
com a sua família trabalhou como operário rural na nossa propriedade agrícola em Capão Preto durante o ano de 1923.
São Paulo, 28 de janeiro de 1926.
Justiniano Lacerda de Oliveira
Confira o documento da Secretaria de Agricultura aqui.
Carta da Tia Noemi para o sobrinho e afilhado Dadinho em 1952
S. Paulo, 29-4-952
Muito querido afilhado, Dadinho
Lamentei muitíssimo ter sabido pela tua bondosa Mamãe que não recebeu o meu cartãozinho de felicitações levado ao correio por José, pessoalmente. Hoje, reitero os meus cumprimentos, pedindo a Deus que o cumule de bênçãos e lhe conceda a realização de todos os seus desejos.
Espero e faço votos que a permanência em Minas lhe seja propicia à saúde e aos seus estudos. Terei muito prazer em receber uma cartinha sua, já lá do collegio, e, as suas impressões sobre a vida no Internato.
O povo mineiro é muito sympatico e acolhedor; e, você, entre os seus collegas, encontrará optimos companheiros e amigos.
Sua Mamãe, como sempre boníssima, a todos tem captivado pela sua inescedivel gentileza, e, só lamento que seja tão rápida a sua permanência entre nós.
Aguardo brevemente uma cartinha sua, com o seu novo endereço, termino…
Todos os meus filhos e netos e José enviam-lhe saudades e com todo carinho o abraça e abençoa a sua madrinha sempre amiga dedicada
Justiniano Lacerda de Oliveira é filho do Coronel Justiniano Whitaker de Oliveira (filho do Comendador Coronel Justiniano de Mello Oliveira e de Brazilia de Aguiar Whitaker) e de Candida de Lacerda Franco (filha dos barões de Araras, Bento de Lacerda Guimarães e de Manoela de Cassia Franco), e irmão de Noemi (casada com José Oliveira de Barros), Dulce (casada com Firmo Lacerda de Vergueiro) e Leonor.
Noemi e José Oliveira de Barros são tios e padrinhos de José Eduardo Gomes Pinto, único filho de José Gomes Pinto e Odette Gomes Pinto.
Noemi e José são pais de Fábio, Sylvio, Gilberto, José Eduardo, Maria Noemi e José.
O Acervo Odette Gomes Pinto, Fazenda Itaim, contém cartas, partituras e fotografias que serão disponibilizadas.
Cartas da Tia Noemi
Cartas da Tia Dulce
Cartas de Justy
Referências sobre Justiniano Whitaker de Oliveira (Araras, 1836 – avô de Odette), casado com Cândida de Lacerda Franco.
Justiniano era cunhado de Antonio de Lacerda Franco, o Senador Lacerda Franco, e pertencente à parentela dos Lacerda. Em 1890, Justiniano se tornou presidente da Intendência Municipal, fruto de sua inserção na parentela. Em 1893, apareceu como coronel e presidente local do Partido Republicano Paulista (PRP). Na realidade, o Cel. Justiniano era quem comandava localmente a política, como portavoz e fiador dos interesses do Senador Lacerda Franco e do PRP – em 1902, Justiniano era o Presidente da Câmara Municipal – sendo que este sim, era quem comandava, mas à distância, os desígnios da política ararense e também era a presença física do município no nível federal (CRESSONI, 2007: 282)
Pedido do Prefeito Jaures Guisard a José Gomes Pinto em 1968.
Taubaté, 16 de janeiro de 1968
Prezado amigo GOMES
Com o presente encaminho ao caro amigo o meu particular amigo FRANCISCO PACHECO que deseja pedir-lhe um obséquio pelo qual me interesso com grande empenho – pois trata-se de uma solução para evitar um prejuízo de compras de tijolos que o mesmo fez.
Peço ao amigo fazer o possível para atendê-lo obséquio que recebo como se fosse para mim próprio.